Caetano Veloso – Estrangeiro [1989]

Estrangeiro é um álbum de 1989 do cantor brasileiro Caetano Veloso. Foi produzido por Peter Scherer e Arto Lindsay e conta com a participação de Naná Vasconcelos, Carlinhos Brown, Bill Frisell e Marc Ribot. Robert Christgau nomeou-o como 27º em “The 1989 Pazz & Jop Critics Poll” em melhores álbuns lançados nesse ano.

Estrangeiro: Wikipedia

É o mais recente, então me incomodo mais com ele. É menos deprimido, já sei. Estrangeiro é uma grande canção, Os Outros Românticos também. Gosto de Estrangeiro, mas por alguma razão gosto prefiro Caetano. É um grande disco, mas Caetano tem mais verdade, mais clareza.

Depoimento à Marcia Cezimbra — Jornal do Brasil (16/05/91)

Esse disco foi feito em Nova Iorque. Quando ia fazer o “Caetano”, que é o disco anterior, o Bob Hurwitz, que era presidente do selo americano ligado à Warner, me viu cantar e ficou interessado em fazer alguma coisa comigo. O Arto Lindsay, que eu conhecia desde que cheguei a Nova Iorque, em 1982 ou 83, queria muito produzir um disco meu. O “Estrangeiro” foi produzido por ele. Arto conhecia bem minha música, porque tinha vivido muito tempo no Brasil e adora o trabalho dos tropicalistas. Ele queria que aqueles procedimentos tropicalistas fossem conhecidos e reconhecidos internacionalmente.

(…) Como eu estava fora, me veio essa idéia de estrangeiro e resolvi dar ao disco esse nome. A capa, de que gosto muito, é uma maquete concebida pelo Hélio Eichbauer para a peça “O rei da vela”, do Oswald de Andrade, montada em São Paulo pelo Zé Celso Martinez Corrêa.

“O Estrangeiro” tem a marca muito forte do Peter Sherer – sempre a partir das coisas que eu estava fazendo, das idéias que vinha tendo – e de muitas idéias musicais do Arto: sempre resultado das conversas que tínhamos os três.

(…) A gravação da faixa “Estrangeiro” ficou muito bonita. A de “Outros românticos” ficou linda. Lembro que queria muito que tivesse um aspecto reggae, mas o Peter Sherer disse que não suportava reggae, “uma coisa chata, que todo mundo faz”. Argumentei que no Brasil isso era importante e encontramos um jeito, meio seis por oito, mas com um aspecto de reggae e ficou legal. Adoro as faixas “Este amor” e “Meia-lua inteira”, essa última do Carlinhos Brown – que já tocara comigo no disco “Caetano” e tocou também no “Estrangeiro”.

Depoimento à Charles Gavin e Luís Pimentel no Livro “Tantas canções”, de 2002

Um disco curto e potente. Sempre remetem “Estrangeiro” como um aceno ao tropicalismo, mas acredito que se trate de um diálogo mais maduro. Aqui também os discos começam a ter mais unidade, tanto sonora quanto conceitual.

Todas as faixas são muito boas. As letras se destacam mais enquanto os arranjos vão deixando um pouco os teclados oitentistas, o som New Wave. Faixas quase desconhecidas como “ETC” e “Este amor” preenchem bem o álbum.

Mais doces: “Rai das cores” (recém regravada ao vivo por Ana Carolina em “Ensaio de Cores”, 2011) e “Branquinha”, são lindas. Contrastam com a dureza de “O Estrangeiro” – das melhores letras de Caetano – e “Os outros românticos”. E o olho certeiro de Caetano, sempre atento, ao lançar Carlinhos Brown, numa grande interpretação de “Meia-lua inteira”, tema da novela Tieta e hit do disco.

1989 – Estrangeiro: Caetano Completo

Primeiro lançamento de Caetano Veloso nos Estados Unidos, Estrangeiro exagera nas concessões ao modelo de produção norte-americano, o que resulta em arranjos carregados e, não raro, comprometidos. As composições se submetem à agressividade dos arranjos, e a voz de Veloso se perde em meio a teclados, baterias e efeitos eletrônicos sem propósito.

“O Estrangeiro” traz um belo refrão, embora o material apresentado não justifique sua longa extensão. Plana e repetitiva, “Rai das Cores” é uma daquelas faixas que passam despercebidas. O interesse que “Os Outros Românticos” pode despertar está relacionado à poesia repleta de assuntos polêmicos, pois a música é rasa e o arranjo, excessivo. “Jasper” segue o mesmo princípio: longa, densa e pouco relevante. Mais com a cara de Veloso, “Este Amor” inicia com um bom tema, mas seu desenvolvimento deixa a desejar. O disco vale mesmo pela musical e poeticamente brilhante “Branquinha”, escrita para a então esposa do compositor, Paula Lavigne.

De qualquer forma, “Outro Retrato” mostra inventividade poética e um material musical interessante. “Meia-lua Inteira”, de Carlinhos Brown, pode até não ser uma obra prima, mas cumpre bem o papel de movimentar um disco de águas paradas que não parece conduzir a lugar nenhum. Enfim, o disco termina melhor do que começou, com a bem escrita “Genipapo Absoluto”.

Se o álbum de estúdio anterior, Caetano, marcou a volta ao equilíbrio nos arranjos, Estrangeiro significa, novamente, um passo atrás. A maioria das faixas traz arranjos densos e estravagantes, tornando a audição cansativa e conduzindo a apreciação mais para a sonoridade apocalíptica do disco do que propriamente para as canções de Veloso.

Estrangeiro vem mostrar que Caetano Veloso aprendeu melhor a lição sobre ser universal que os próprios ditos “universais”. O verde-amarelismo do compositor se mostrou, na verdade, mais eficaz que qualquer esforço cosmopolita: “Branquinha” diz mais que mil palavras.

Resenha do CD O Estrangeiro – Caetano Veloso: Galeria Musical
caetano veloso estrangeiro 1989 - Caetano Veloso - Estrangeiro [1989]
Caetano Veloso – Estrangeiro [1989]
  • Artista: Caetano Veloso
  • Álbum: Estrangeiro
  • Ano: 1989
  • Gêneros: MPB, Bossa Nova
  • Duração: 00:39:14
  • Qualidade: 320 Kbps
  • Tamanho: 85 MB
  • Gravadora: Philips
  • Produção: Peter Scherer, Arto Lindsay

Lista de músicas

  1. O estrangeiro (Caetano Veloso)
  2. Rai das cores (Caetano Veloso)
  3. Branquinha (Caetano Veloso)
  4. Os outros românticos (Caetano Veloso)
  5. Jasper (Caetano Veloso / Arto Lindsay / Peter Sherer)
  6. Este amor (Caetano Veloso)
  7. Outro retrato (Caetano Veloso)
  8. ETC. (Caetano Veloso)
  9. Meia Lua Inteira (Carlinhos Brown)
  10. Genipapo Absoluto (Caetano Veloso)

Ficha técnica do álbum “Estrangeiro”

  • Caetano Veloso: vocais, guitarra acústica (nas faixas 3, 8, 10)
  • Peter Scherer: teclados (nas faixas 1-7, 9)
  • Arto Lindsay: guitarra (nas faixas 1, 3-5, 9) e voz (na faixa 4)
  • Bill Frisell: guitarra (nas faixas 1, 6)
  • Marc Ribot: guitarra (nas faixas 1, 7)
  • Toni Costa: guitarra (nas faixas 2, 9) e violão (na faixa 10)
  • Tavinho Fialho: baixo (nas faixas 2, 9)
  • Tony Lewis: tambores (na faixa 1)
  • Cesinha: tambores (nas faixas 2, 9)
  • Naná Vasconcelos: percussão (nas faixas 1, 5–8)
  • Carlinhos Brown: percussão (nas faixas 2, 4, 9)

Sobre Download MPB

Você também pode gostar

Marília Mendonça

Marília Mendonça – Alô Porteiro

Marília Mendonça - Alô Porteiro — Letra da música, Legenda, Ouvir no YouTube, Clipe oficial — Pegue suas coisas que estão aqui / Nesse apartamento você não entra mais / Olha o que me fez, você foi me trair.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *